A saúde ao meu redor

6 Nov
Down, a síndrome
Uma pessoa por dia. É a média de indivíduos com síndrome de Down que vejo em Madrid (e muitas na meia-idade).
Num sábado, voltava do La Vaguada e presenciei uma cena linda: um senhor conversava com seu filho, que tinha síndrome de Down, enquanto acariciava as suas mãos. O rapaz já devia beirar os 30 anos. Com muito dificuldade, falava frases sem muito sentido (pelo menos para mim) e o pai, pacientemente, respondia e se comunicava. Que cena amável!
Outro dia peguei um ônibus pela manhã e observei uma senhora beirando os 70 anos dando a mão a um senhor de cabelos grisalhos, um pouco mais baixo que ela (chutaria uns 45 anos). Ele também tinha síndrome de Down.
Outro dia, um rapaz (não da meia-idade) pegava ônibus sozinho, estava com uniforme esportivo e raquete de tênis na mão. Divertia-se com o celular, ligando e desligando, sucessivas vezes, para o treinador (suponho), que iria encontrá-lo em breve. E noutro, vi um bebezinho num carrinho.
Ao chegar na Universidade, sempre vejo um garoto e uma garota com a síndrome sentados no mesmo banco no campus da faculdade, conversando e se divertindo.
Será que nascem mais indivíduos com Down no Velho Mundo? A resposta é não. A síndrome alcança todas as etnias em igual proporção. (A média mundial é nascer uma criança com síndrome a cada 700 nascidos.) Talvez a inserção social desses indivíduos esteja mais enraizada em países “desarrollados” (desenvolvidos). Não sei se me explico e não conseguiria dar detalhes dessa teoria.
Um sinal de que a reflexão talvez esteja correta: ao lado do condomínio onde moro está o Centro Sociosanitario Ecoplar Mirasierra, que hospeda-cuida de pessoas “mayores” (com mais idade) ou de qualquer idade com deficiências, uma espécie de asilo-hospital, mas com o objetivo de não ter as desvantagens de ambas as instituições. Nunca ouvi falar de uma instituição desse tipo no Brasil (com certeza deve haver, mas deve ser exceção, e não regra). A definição que encontrei no site da instituição: “20.000 m2 divididos en diferentes unidades para cubrir todas las necesidades asistenciales y de rehabilitación de personas mayores y de personas de cualquier edad, gracias a un edificio inteligente que nos permite ofrecer unas instalaciones que van más allá de los tradicionales conceptos de Residencia y Hospital.”
Muito legal, né?
Os arredores da “ubibación” (condomínio)
Isso me fez lembrar que vivo num condomínio próximo ao Rüber, um hospital de referência internacional, com pinta de hotel; e muito perto da Clínica CEMTRO, que basicamente faz análises clínicas e de imagem, além de sessões de fisioterapia. Ou seja, vejo pessoas em cadeiras de rodas ou com perna quebrada todo dia! Parece que a pauta saúde me ronda o tempo todo.
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Un pecado por 2,93 euros
Apesar de ser muito gostoso, tem mais açúcar que cacau. Que pena!
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O céu e o mundo subterrâneo de Mirasierra

3 Nov
El Mayordomo (The Batler)
O filme do diretor Lee Daniels (diretor do “Preciosa”, recomendo!) chegou a Madrid e me fez chorar. Claro que devo descontar o fato de eu estar na TPM, mas confesso que emociona em vários momentos da história que conta a trajetória do mordomo da Casa Branca interpretado por Forest Whitaker. O protagonista conheceu oito presidentes desde Eisenhower (é o Robin Williams!), Lyndon Johnson (é o irmão do Wolverine!), John Kennedy, Richard Nixon, Gerard Ford, Jimmy Carter e Ronald Reagan. Um período da história dos Estados Unidos marcado pela luta dos negros pelos direitos civis e pelo fim do preconceito e das diferenças explícitas colocadas pela lei. Período de surgimento do Partido dos Panteras Negras, movimento que em seu auge defendia a luta armada em defesa dos negros. Guerra do Vietnã, assassinato do presidente Kennedy e de Martin Luther King. Pinceladas rápidas fazem lembrar episódios importantes sem aprofundar-se na história estadunidense. O que o filme mostra é o ponto de vista de Cecil Gaines, o mordomo que viu o pai ser morto por um branco em um campo de algodoeiros, aprendeu a servir na casa grande de uma das muitas fazendas do sul e a ouvir e ver política durante mais de 20 anos… Até que a dublagem não estava ruim, mas ouvir Robin Williams falando em espanhol é realmente estranho.
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O céu de Mirasierra
Desde que cheguei, o céu está sempre a me surpreender, seja no amanhecer, seja no pôr do sol, seja com chuva, frio ou vento. A previsão é uma coisa engraçada: poderia chutar que 90% das vezes o tempo no fim do verão e início do outono em Madrid está  “mayormente despejado”, ou seja, boa parte do tempo o céu se encontra aberto, sem nuvens.
Hoje os aviões riscaram o céu de tal forma que realmente valia a pena fazer uns cliques.
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A estación Mirasierra
É a ponta da “línea” 9 (roxa) e está voltada para noroeste. Dali, é possível ter uma vista privilegiada das montanhas que estão ao norte. Quanto ao mundo subterrâneo, é preciso descer três sequências de “escaleras mecánicas” (escadas rolantes) para chegar ao “andén” (plataforma) de Mirasierra. O painel eletrônico indica o tempo de espera até a chegada do próximo trem. Todos os dias da semana espero pelo trem que ruma sentido Arganda del Rey, desço em Plaza del Castilla e continuo a jornada pelo trem da Renfe até a UAM. A abertura da porta é acionada manualmente (para entrar e sair) e, diferentemente de São Paulo, não tenho muito problema com lotação no vagão.
Atenção: “papelera” é a nossa lixeira, seja para restos orgânicos ou recicláveis. Aqui, a distinção ocorre entre “residuos organicos”, “papeles” e “envases” (recipientes de vidro, lata ou plástico).
Andén, vía, dársena
As três palavras significam plataforma, mas cada uma é usada em um contexto específico: “andén” é plataforma de metrô, “vía” é plataforma de trem e “dársena” é plataforma de ônibus.
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Compras para o frío
Hoje foi dia de ir às compras: “abrigos”, “chaquetas”, “jerseis” e “pantalones” era o que eu procurava na Decathlon (e seus preços justos). Ao contrário, tenho cada vez mais repulsa do El Corte Inglés, com seus preços abusivos e seu exagero de “tiendas” (lojas), produtos, luxo, overdose…
Ainda não encontrei um casaco realmente bom para o inverno (com preço justo), mas ainda estamos no outono.

¡Espárragos!

14 Oct
ImagenImagenImagenImagenImagenImagenFinalmente comprei “espárragos” (aspargos) e preparei uma “ensalada” con “pimientos rojos” (pimentão vermelho) provenientes da “agricultura ecológica”. Aqui não se diz agricultura orgânica, e, sim, ecológica. Ainda não me aprofundei no tema para descobrir se realmente há diferenças entre os dois termos por aqui. Demorei para comprar aspargos, porque eu não tinha a menor ideia de como prepará-los. Eis que a mãe da Celia me explicou que eu deveria cozinhá-los por 3 minutos, no máximo, e depois “freirlos” (fritá-los), claro, em “aceite de oliva”. Quem me conhece na cozinha (quase ninguém, rs) sabe que eu dificilmente frito alguma coisa. Logo, não respeitei a receita e cozinhei os “trozos” de aspargos a vapor. Guardei a água para fazer algum caldo depois. Dica da “abuelita”: se deve cortar o extremo oposto ao da flor, porque é mais duro – ela disse que ou “se tira” (se joga fora) ou se aproveita para algum caldo ou sopa (nesse caso, se bate em “la batidora”). Bom, essa dica eu segui à risca. [A única coisa que me entristeceu foi descobrir, já em casa, que os “espárragos” vieram do Perú. Os pimentões são da Espanha!] Claro que essa só foi a entrada da minha “comida”: o “segundo” prato foi “lomo de salmón al horno”, proveniente da Noruega, y “patatas” (batatas), “cebollas” e “ajos” asados. Receita da “ensalada”: 1/2 pimiento rojo picado + 1 maço de aspargos a vapor + aceite extra virgen + sal. Confesso que estava tudo muito gostoso, mas salmão com batata não combina muito…

Madrid não tem madrileños…

3 Oct
Hoje, sentada numa “cafetería”, mexia no computador quando chegaram a minha mesa, pedindo licença para sentar, três colegas da Faculdade: Silvia, Carmen e Pilar. Silvia é de Talavera de la Reina, uma cidade que fica na província de Toledo (Comunidad Autónoma de Castilla-La Mancha). Carmen é vasca da litorânea San Sebastián, na província de Guipúzcoa (Comunidad Autónoma del País Vasco), inclusive ela falou euskera – a pedidos -, o idioma ainda bastante disseminado na região. Pilar é de Alicante, que fica na Comunidad Autónoma de Valencia, a região da horchata de chufa! É para lá que devo ir para tomar a bebida autêntica! É claro que pedi para ela falar em valenciano, e ela falou! Não entendi nada. Hoje de manhã, na aula de Epidemiología, conversei bastante com outra Silvia, que é das Canarias e que adora samba e bossa nova – inclusive faz aulas com um santista. Mas, antes de chegar à aula, encontrei no caminho Jésica, da Colombia. E ontem, voltei de trem ao lado de María, que é de alguma cidade dos arredores de Madrid… Meu professor de Dietética é galego e me disse que posso falar em português se eu tiver alguma dificuldade. Uma outra colega minha é de um “pueblo” que se situa na província de Guadalajara, pertencente também à Comunidad Autónoma de Castilla-La Mancha. Celia é da província de Granada (Comunidad Autónoma de Andalucía) e seu ex-, da Catalunha. Será que há madrileños em Madrid? Acho que só Adrián e Rodrigo mesmo…
Um copo de cerveja
Um copo de cerveja é uma “caña”. Eram 13h30 quando Silvia, Carmen e Pilar sentaram à mesa em que eu estava. Seguravam, cada uma, uma caña. Detalhe: hoje é quinta-feira, mas também poderia ser sido uma segunda, uma terça, ou qualquer outro dia da semana. Aqui, “caña” é refresco, não é um símbolo de happy hour, é mais comum que suco de laranja. Mas o almoço é regado com uma boa jarra de água mesmo. Depois fomos almoçar por 5.25 euros: paella, merluza, alface y maçã verde… claro, às duas da tarde.
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A foto não é de hoje, mas a refeição é a mesma, exceto os pedaços de frango na paella e o suco de laranja.
[Anteontem, comprei uma caipirinha engarrafada, ainda não provei… ¡A ver!]
Otoño
O outono deu as caras, e molhei minhas botas pela primeira vez. As folhas não param de cair faz mais de uma semana. Já é tempo de brisas e ventos mais frios. O céu aparenta tons de cinza e mostra-se com nuvens mais densas no meio da tarde… É tempo de lenço no pescoço e edredom à noite.
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Gramado forrado de folhas secas, na Universidad.
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Calçada do condomínio: outono dando as caras…

Pueblo de Villanueva de la Vera

17 Sep
 
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A vila de Villanueva de la Vera fica na província de Cáceres, que, juntamente com a província de Badajoz, constitui a “comunidad autónoma” de Extremadura, na região oeste da España. Passei meu primeiro fim de semana no país neste “pueblo”, uma área repleta de verde e montanhas. Celia, eu e os “peques”, como são carinhosamente chamados, ficamos alojados no “El cielo de la Vera”, um “albergue rural”, onde são realizados cursos, workshops e outras atividades, hospedando os participantes. Naquele fim de semana, rolava um workshop de yoga. Celia e eu não pagamos a nossa estadia, mas trabalhamos na cozinha, lavando a louça e auxiliando a cozinheira Gema (nome bem comum na ES).
Ficamos num chalé no meio do “bosque” (aqui “floresta” é “bosque”), construído pelo próprio Fernando, o gerente do “El cielo”, que nos recebeu com muita hospitalidade. Aliás, descobri porque o albergue tem esse nome: na primeira noite, Celia e eu sentamos num tronco de árvore e ficamos observando o céu enquanto conversávamos. Ao redor, breu e silêncio. Os meninos dormiam. Foi um momento único.
Imersão de espanhol e de “niños”, de natureza e de muitas e muitas “moras” (amoras), que recolhíamos ao longo das estradas de terra…
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As estradas nos levaram ora para a piscina municipal ora para o “pozo” (piscina natural em meio a um riacho), em que havia um tobogã natural – o Rodrí ficou tão apaixonado pelo tobogã que o seu “bañador” ficou “roto”, vulgo um rombo bem na região do bumbum. Também fomos ao centro do “pueblo” para comer “tortilla” e assistir às apresentações de circo…
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…Naquele fim de semana, acontecia o II Festival Internacional de Villanueva de La Vera. E, claro, não podíamos perder essa. A plateia preenchia as cadeiras distribuídas ao redor do palco. Crianças, bebês, idosos, gente de todas as idades. O mais interessante foi observar os diversos estilos dessa gente que vive o picadeiro em seu dia a dia (e a arquitetura das casas antiquísimas ao redor da praça – muitas paredes de barro, ruas estreitas e irregulares, um charme!). Celia me contou que Villanueva de la Vera tem uma escola de circo de peso, a responsável por ter levado o festival para lá.
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Tanto na ida quanto na volta de Villanueva, demoramos cerca de três horas de viagem de carro, que fizemos em meio a brincadeiras de palavras em español. Ótima maneira de aprender que “mear de pie” é o pejorativo de “orinar de pie”, “quitamiedos” é guard rail, “vallas” são cercas, “carteles” ou “letreros” são usados em referência às placas ao longo das “carreteras” (estradas)… Foi nessa viagem que descobri as famosas “pipas de girasol”, que são as sementes do girassol (mais largas do que as que conhecemos no Brasil) salgadas. É a pipoca do madrileño.
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A caminho de Villanueva de la Vera… Onde fica isso?
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El cielo de la Vera

Zumo de granada

14 Sep

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Hoje me senti meio… “sin compañía, ¿solitaria?”. E, no meio de uma tarde silenciosa, interrompida pelo ruído das águas fluindo pelos encanamentos (aqui, os pássaros assemelham-se aos humanos, nenhum deles costuma cantar, soltar rojões ou torcer por algum time), resolvi tirar fotos e tomar “zumo de granada” (suco de romã) com “grosella negra” e “mangostán” (a bebida é milagrosa)… quando, de repente, me vi conversando com uma nova amiga de Madrid, Alejandra, que vive perto do “aeropuerto Barajas”; e com Jacke, uma antiga amiga de Cusco, Perú, a 7 horas daqui; e com minha grande amiga Priscila, que neste dia faz aniversário lá no Brasil; e com duas amigas que recém-chegaram a Granada (a cidade tem esse nome por causa da fruta mesmo), em Andalucía, para um Congresso Internacional de Nutrição. E percebi o quanto eu amo as novas tecnologias da comunicação… [Tão longe umas das outras, sob climas distintos, em horários avessos, com preocupações e momentos tão diferentes… O fato é que elas me presentearam com a energia que faltava. ¡Muchas gracias!]

Cine cult, “yogur” e outros lácteos

10 Sep
“Sordomudo”
Hoje, “flipé” (o verbo “flipar” é muito usado pelos espanhóis para expressar surpresa) quando fui ao Ayuntamiento de Fuencarral para fazer uma consulta sobre o documento de “empadronamiento”. À minha frente na fila, havia um “sordomudo”. Quando o chamaram pela senha que apareceu no painel, ele levantou fazendo sinal para uma das mulheres, em um dos caixas, e ela apontou para a outra ponta, onde havia DUAS mulheres que sabiam a linguagem de sinais. Atendimento ao público de primeira!
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“El estudiante” no Cines Golem 
No meu primeiro domingo em Madrid fui ao Cines Golem (calle Martín de los Heroes, 14), que fica muito próximo à Plaza de España. Dá para “bajar” nas estações Plaza de España ou Ventura Rodríguez. Na mesma rua, há também o Cine Renoir (n.12). São o que podemos chamar de cinema “cult”. Escolhi “El estudiante”, um filme argentino dirigido por Santiago Mitre. Juro que tentei encontrar um filme espanhol, mas os que achei ainda vão entrar em cartaz, como “Arraianos” e “Barcelona – Noche de Verano”. Voltando à “peli” portenha, Mitre foi quem escreveu “Carancho”, que achei fantástico, protagonizado por Ricardo Darín. Também escreveu “Leonera” e “Elefante Blanco”, mas estes não tive a oportunidade de assistir ainda.
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Em “El estudiante”, a história se dá principalmente dentro da Universidade de Buenos Aires, onde Roque Espinosa, que chega do interior do país, meio perdido, para cursar Ciências Sociais (depois de tentar Administração e Medicina) se apaixona pelo movimento estudantil (e pela militância política) e “tienes ganas de” aprender a exercê-la. A abordagem do micro para o macro – da universidade para o país – permite um paralelo entre a atividade política dentro da instituição e o exercício político nos grandes escalões. O tempo todo o filme discute o modo de se fazer política, lançando a questão: “¿Qué es más importante: la formación o la capacidad práctica para ascender en política? ¿La formación intelectual, la formación ideológica, las ideias sociales o la capacidad para operar políticamente?”. Vale a pena ver mais uma vez. A “taquilla” (bilheteria) do Cine Golem não aceita carteirinha de estudante. Logo, paguei o preço de domingo (8,90 euros).
Outras “películas” em “cartelera” que me interessaram: “La piedra de la paciencia” (“The patience stone”, Atiq Rahimi), filme afegão; “El último concierto” (“A late quartet”, Yaron Zilberman), filmado em Nova York; e “Paraíso Esperanza” (“Paradies: Hoffnung”, Ulrich Seidl), que trata do tema do sobrepeso entre adolescentes e faz parte de uma trilogia (os dois primeiros são “Paraíso: Amor” e “Paraíso: Fe”).
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Segundo dia de “clases” e “yogur”
Aula da tarde: “Productos lácteos” e seis ou sete pessoas na sala. Chego atrasada: “Perdóname”, e a professora logo pergunta meu nome e o por quê de haver escolhido essa disciplina optativa. Logo respondi, ofegante, que além de ser um tema que me interessa, ele não consta do programa brasileiro e vai discutir produtos incomuns no Brasil (como alguns tipos de queijo). Mais tarde, na “puesta del sol”, desci na Plaza de Castilla e resolvi tomar um “yogur” (à base de “leche desnatada”) para comemorar a nova disciplina (e aproveitar que ainda “hace mucho calor”). Escolhi três ingredientes para a cobertura: “crocanti de almendras”, “fresas” e “salsa de fresas”, sentei em uma das mesas e refleti sobre a pergunta da professora. O que eu quero saber mesmo? É a opinião da academia espanhola sobre a inserção do leite e de seus derivados na dieta dos vários grupos populacionais sadios (crianças, adultos e idosos) e sobre o processo produtivo e a composição atual desses alimentos.
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Café “a casa”
Minha primeira tentativa de fazer café em casa deu errado. Ignorei meus conhecimentos de física e coloquei a água no compartimento de cima da “cafetera”. Quando a água começou a ferver, o cheiro não era bom… não era de café pronto.
Segunda tentativa, dessa vez com água no compartimento de baixo: reutilizei a borra da tentativa anterior. Ficou horrível. Não por causa da borra, mas porque tinha queimado o fundo da “cafetera”, o que só fui descobrir depois…
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Na foto, reparem no fogão. Aqui, o pessoal o chama de “vitrocerámico”, por causa da cerâmica da placa, que aguenta altas temperaturas. [Ainda não me acostumei com ela.]
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